Escutas

As paredes têm ouvido

Um dos maiores problemas dessas unidades de segurança máxima é garantir o isolamento de seus internos para que não continuem a liderar esquemas criminosos de dentro dos estabelecimentos prisionais.

por Vladimir Aras 

Depois da prisão de uns poucos narcotraficantes na “guerra do Rio”, alguns deles acabaram sendo transferidos para as penitenciárias federais de Catanduvas/PR e Porto Velho/RO. Outros estão em Mossoró/RN e Campo Grande/MS. Os demais estão escondidos ou mortos. Se tiver estômago, clique aqui e veja as fotos reunidas pelo blog Militar Legal. São imagens terríveis.

Um dos maiores problemas dessas unidades de segurança máxima é garantir o isolamento de seus internos para que não continuem a liderar esquemas criminosos de dentro dos estabelecimentos prisionais. Obviamente tudo deve ser feito dentro da legalidade, sempre com a supervisão do juiz das execuções e possibilidade de defesa.

A forma mais eficiente de alcançar esta meta é pela inclusão de presos ligados a organizações criminosas no Regime Disciplinar Diferenciado (RDD). O RDD, criticado por sua suposta inconstitucionalidade, é regulado pelo art. 52 da Lei das Execuções Penais (Lei 7.210/84) que foi alterada em 2003 para incluir esta regra mais rigorosa.

Outra estratégia eficaz é limitar ainda mais, especialmente nessas penitenciárias de segurança máxima, o número de visitantes por preso, suprimir o direito de visitas íntimas, restringir os contatos entre presos e visitantes somente ao parlatório (onde não deve haver interação física) e monitorar suas conversas.

O dilema é: conversas entre presos e seus advogados podem ser monitoradas e gravadas? Sim e não! Escrevi sobre este espinhoso tema no post “Fala que eu te escuto“. Leia aqui.

Embora a sociedade em geral não saiba, as paredes que circundam  parlatórios de prisões brasileiras têm ouvido muitas converas escabrosas. Não podemos fazer ouvidos de mercador…

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