São João

"Modismo, mercado e ganância": Targino Gondim opina sobre a variedade musical nos festejos juninos

Targino Gondim falou sobre o objetivo da Lei Luiz Gonzaga e os benefícios para aqueles que deveriam protagonizar os festejos juninos.

Foto: Reprodução/Facebook Sesc CE
Foto: Reprodução/Facebook Sesc CE

Nas redes sociais há muitos questionamentos sobre a contratação de grandes bandas comerciais para os festejos do São João, que não fazem parte da tradição da festa, que é marcada pelo forró. Na última terça-feira (20) o Plenário da Câmara de Deputados aprovou a lei Luiz Gonzaga 3083/2023, de autoria do cantor Armandinho, da banda Fulô de Mandacaru, que prevê a destinação de 80% de recursos públicos para que os festejos sejam voltados para a valorização do gênero, inclusive em todo o território nacional. Os outros 20% poderão ser destinados a atrações de qualquer gênero musical.

Conhecido nacionalmente, Targino Gondim falou sobre o objetivo da Lei Luiz Gonzaga e os benefícios para aqueles que deveriam protagonizar os festejos juninos.

Foto: Instagram/Targino Gondim

“Essa questão dos cachês milionários para bandas de todo e qualquer segmento que não seja o forró é, primeiro, porque a nossa classe forrozeira por mais que a gente tenha artistas com notoriedade, nacional e internacional, a gente não tem, nem se equipara, o nosso cachê com o dos outros segmentos. Isso já eleva e muito o valor de qualquer festa junina. É um dinheiro que poderia tá sendo usado para auxiliar as quadrilhas juninas, os bacamarteiros, os trios de forró que tem aí espalhados pelo Nordeste inteiro, pelo Brasil todo, então isso podia ser muito melhor usado. A lei Luiz Gonzaga está aí surgindo para que a gente consiga essa votação tanto da Câmara de Deputados como no Senado e que seja sancionada pelo presidente para que o ano que vem a gente consiga reverter tudo isso”, diz o forrozeiro.

Ele também fala sobre as produções comerciais que os gêneros musicais estão produzindo hoje.

“Não só a música nordestina, a música brasileira, o bom senso, a educação, o respeito tá perdendo vez. Se a gente deixar como está, o mundo acelerou muito, então perde-se tudo. Dentre tudo isso que está se perdendo, está a nossa música nordestina, o nosso São João em especial. Eu creio que seja o modismo, o mercado, a ganância de muitos para obter esse retorno financeiro, independente do mal que venha causar na vida das pessoas”.

Targino também comenta sobre a polêmica envolvendo outro grande nome do forró, Flávio José. No início do mês, o cantor paraibano se apresentou no São João de Campina Grande e foi informado que teria um corte no tempo de sua apresentação, tempo este que estaria destinado para apresentação do cantor do gênero sertanejo, Gustavo Lima.

“Flávio José, quando aconteceu com ele, isso é uma coisa que pode acontecer com qualquer um. Flávio José hoje dentre os artistas em atuação no nosso forró, ele é o que detém maior quantidade de sucesso; ele pode fazer dois, três shows, só cantando os sucessos dele, então um homem desse, dessa magnitude, né? Toda história dele, e ele não poder apresentar o seu show na íntegra, eu acho isso um absurdo, ainda mais se tratando de São João”, afirmou.

Ele conclui desejando um bom São João para todos. “E viva o São João, viva os forrozeiros autênticos, seguidores de Luiz Gonzaga que estão produzindo muito nos tempos de hoje, cada um lançando sua música nova, seus trabalhos e tudo mais e a nossa sociedade, os nossos jovens não podem é ficar sem ter essa possibilidade de conhecer esses trabalhos todos”, concluiu Targino.

Com informações da jornalista Rafaela Rodrigues

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