Acorda Cidade
O caso do estupro de uma menina de 10 anos pelo tio no estado do Espírito Santo gerou muita revolta e grande repercussão em todo o país, especialmente quando a jovem, apoiada por lei, optou fazer um aborto e alguns grupos se opuseram a situação, inclusive fazendo manifestações.
O estupro de crianças é uma triste realidade no Brasil e 90% dos casos acontecem no meio familiar, onde o autor é sempre uma pessoa conhecida da vítima. Nem todos os casos chegam ao conhecimento da polícia, como afirma a delegada Danielle Matias, titular da Delegacia para o Menor Infrator (DAI) e do núcleo Derca (Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Contra Criança Adolescente) em Feira de Santana. Segundo ela, neste ano de 2020 são cerca de 20 inquéritos instaurados pela questão de abuso sexual infanto-juvenil em Feira.
“Acredito que esse número não corresponde à realidade de Feira de Santana. A gente imagina que tem um número muito maior, mas muitos não chegam a registrar ocorrência. Muitas situações nem chegam a delegacia, infelizmente, pois a família quer esconder e até a própria vítima sente receio em contar para a família o que aconteceu, por ter medo”, afirmou a delegada ao Acorda Cidade
Em 2019, só de inquérito instaurado, foram 74, com um total de 12 prisões por conta de estupros tendo como vítimas crianças ou adolescentes em Feira de Santana. A delegada Danielle Matias destaca que esse é um número alto e afirma que caso as pessoas não queiram ir a delegacia prestar queixa, podem fazer denúncias anônimas.
“Aqui na delegacia a gente recebe muita denúncia anônima e ela sempre é apurada, então não tendo como registrar uma ocorrência, a pessoa pode fazer a denúncia anônima pela delegacia ou pelo disk 100.”
Gravidez de crianças e adolescentes vítimas de estupro em Feira
A delegada Danielle Matias lembra que Feira de Santana já registrou casos de crianças estupradas pelos próprios pais ou familiares e que a violência resultou numa gravidez. Ela cita o caso de uma criança de apenas 9 anos de idade, no ano de 2018, onde a criança já estava no 4º mês de gestação quando o caso chegou a delegacia.
“Na época informamos a todos os órgãos responsáveis com a maior agilidade possível, o procedimento foi instaurado e essa criança veio a fazer o aborto legal com todo o apoio que ela precisava. A criança já era estuprada por algum tempo e o pai nunca imaginou que ela iria engravidar, até por conta da idade, pois ela não menstruava ainda e assim que começou a ovular, ela engravidou do pai”, relatou a delegada ao Acorda Cidade.
A delegada afirma ainda que o aborto para uma criança é um procedimento muito complicado e especialmente no caso da criança de 9 anos, até por ela não entender exatamente o que estava acontecendo.
“Ela convivia sozinha com o pai, não tinha muita convivência com outras pessoas, pois não saia muito de casa e até o desenvolvimento dela, a gente percebeu que era meio atrasado. Ela não sabia nem o que era estar grávida naquele momento. Quando a gente conversou com ela sobre a situação, ela ficou muito assustada, mas graças a Deus tudo terminou da melhor forma dentro do possível e o aborto legal foi feito. Se o abuso sexual já gera traumas imensuráveis, imagine engravidar do próprio pai.”
A titular da DAI lembra que o caso não foi divulgado na época do crime com o intuito de preservar a vítima. O acusado foi preso pela delegacia.
Com informações do repórter Aldo Matos do Acorda Cidade