Andrea Trindade
O chefe de gabinete do deputado federal Marco Feliciano, Talma Bauer, veio a Feira de Santana com a Comissão Direitos Humanos e Minorias, para acompanhar as investigações sobre a morte do pastor Gilmário Sales Lima, 24 anos, e do evangelista Jeisivam Cristiano Dias Brito, 26, mortos na tarde da última sexta-feira (18), durante uma ação policial, na BR-324, entre as cidades de Feira de Santana e Conceição do Jacuípe.
É a primeira vez que a comissão vem a Feira de Santana. Ela já esteve na cidade de Santo Amaro da Purificação, para averiguar um caso de mortes por contaminação por chumbo e chegou a Feira na tarde desta segunda-feira (21), quando se reuniu com o delegado Ricardo Brito, coordenador de Polícia do Interior (1ª Coorpin).
“Viemos colaborar com as autoridades na apuração do caso. Muita coisa estranha, no sentido do envolvimento de quem estava nos carros. Eu já sabia que ele estava no carro e nada me surpreendeu. A polícia está apurando com rigor e isenção, e viemos saber o que consta nos autos, a declaração da mãe e de parentes das outras vítimas", afirmou.
Segundo ele, o deputado foi informado do caso através de representantes de uma igreja de Feira de Santana. “O pastor Marco Feliciano ficou preocupado com a notícia e talvez venha uma comissão de deputados para cá. Antes viemos fazer um preâmbulo. Conversei com alguns familiares por telefone e posteriormente conversaremos pessoalmente”, disse.
O chefe de gabinete afirma que a vinda a Feira não foi motivada pelo fato de o presidente da comissão também ser um pastor. Ele informou que essa é a primeira vez que o grupo averigua um caso envolvendo um evangélico e que já acompanharam casos envolvendo quilombolas, indígenas, menores abandonados e vítimas de trabalho escravo e de bullying no trabalho.
“O fato de ele ser evangélico foi uma simples coincidência. Antes de vir para cá, apuramos a reputação dele em São Paulo e em Brasília. Ele é um pregador conhecido nacionalmente”, disse Bauer.
O delegado Ricardo Brito ressaltou que a comissão saiu convencida do que está sendo apurado e confiante no trabalho da polícia.
“A polícia mostrou o envolvimento não só do pastor, mas de toda a quadrilha [no roubo de veículos]. Já existia uma investigação e conseguimos concluir em parte a diligência. O pastor participava da quadrilha roubando também os veículos. Já foram ouvidas diversas testemunhas, inclusive vítimas, e uma delas foi um pastor que teve seu carro roubado e reconheceu as pessoas que estavam dirigindo o carro do pastor”, declarou o delegado Ricardo Brito.
A polícia aguarda agora a conclusão do inquérito no prazo de 30 dias. O delegado voltou a confirmar que o veículo Pegeout, de propriedade do pastor Mário Sales, tem restrição de roubo, assim como o veículo Punto. Ambos estavam com chassis adulterados.
Questionado sobre o carro roubado, de propriedade do pastor, Bauer disse que “qualquer pessoa com mediana inteligência teria cautela na hora de comprar um veículo”.
“É um carro roubado, um carro adulterado, pode ser que ele não soubesse. A pessoa que ele estava andando já tinha um passado e foi reconhecido no roubo. Então talvez até por uma displicência, ele terminou se envolvendo nisso aí por confiar nas pessoas. Tenho certeza que ele por ser um homem de Deus, não tinha essa índole. Vou fazer um relatório circunstanciado para o presidente da comissão, mas sem demérito nenhum ao trabalho da polícia, que está apurando e fazendo um bom trabalho. A comissão é só subsidiária, é um órgão político, se for cometida alguma irregularidade pode denunciar. Por enquanto a atuação da polícia está dentro dos padrões que a gente esperava”, declarou.
Em relação aos pertences de Mário Sales, o delegado informou que foi realizado um auto de apreensão e exibição e o auto de entrega foi feito à ex-mulher do pastor.
“O pastor tinha uma mulher com dois filhos em Simões Filho e uma segunda mulher em Aracajú [noiva]. Diante do clamor público e do envolvimento de um suposto pastor não tivemos surpresa da visita da comissão”, informou o coordenador de polícia.
O chefe de gabinete disse que as dúvidas foram esclarecidas e que não foi intenção da mãe acusar o filho quando disse que desconfiou do valor do carro, comprado por cerca de 14 mil reais.
“As dúvidas foram esclarecidas e pela palavra do delegado e pelo que consta nos autos, na declaração da mãe do pastor, uma mulher lúcida, eu estou convencido do que ela declarou, eu não posso dizer que a mãe dele mentiu”, concluiu Talma Bauer. A comissão não tem previsão de quanto tempo fica em Feira de Santana.
Fotos e informações do repórter Aldo Matos do Acorda Cidade.