Ney Silva
Um conjunto residencial ainda em fase de construção pela Conder (Companhia de Desenvolvimento Urbano da Bahia) no bairro Mangabeira, vizinho ao residencial Santa Bárbara, foi ocupado de forma irregular na manhã deste domingo (25) por mais de três mil pessoas.
O Acorda Cidade apurou que as unidades habitacionais seriam destinadas ás famílias que moram no entorno da Lagoa Grande, no bairro Rocinha e terão que deixar o local devido à obra de urbanização que vem sendo executada.
Ainda não se sabe quem coordenou e deu ordens para que as pessoas fossem ao local, mas tudo indica que houve algum tipo de articulação devido à diversidade econômica de algumas pessoas que vieram de bairros distantes como Rua Nova, George Américo e até do Novo Horizonte. Nenhum dos ocupantes quis dizer como soube da existência do residencial.
Com exceção das casas – a maioria já tem telhado — o residencial não tem estrutura urbana. As ruas estão pavimentadas de forma incompleta. As caixas da rede de esgotamento sanitário e de água pluvial estão abertas. Não existem postes de iluminação nem água encanada.
Em frente às casas há muito mato e grande quantidade de paralelepípedos. Moradores queimaram o mato para afastar insetos e limpar as ruas.
A moradora do bairro Rocinha, Sônia dos Santos, foi ao conjunto para saber como estava a situação. Ela confirma que as unidades habitacionais são destinadas aos moradores daquele bairro. “Eu quero saber do pessoal da Conder o que eles vão fazer com quem derrubou sua casa e está morando de aluguel porque tinha a garantia de que iria ser transferido para esse conjunto", disse.
Segundo ela, a proposta do Governo da Bahia era transferir as famílias da Rocinha e da lagoa Grande em novembro deste ano. “Eu disse que iria invadir uma casa e eles não permitiram", observa.
A dona de casa, Maria Lúcia de Jesus, que também reside na Rocinha, confirma que não se trata de uma ocupação e sim uma invasão. Ela conta que tem muita gente com carros e motos e não precisa de moradia.
A balconista Ivone Passos, que está grávida e mora com a sogra, disse que tem muitas famílias precisando de moradia. “Lá não temos água e nem luz. Estou grávida e tenho dois filhos. Preciso de uma casa", afirmou.
Ela estava acompanhada de parentes e de um cão de estimação. Mostrava-se otimista em morar definitivamente no conjunto residencial.
José Edmilson da Silva Pinheiro está desempregado e também ocupou uma casa. Ele disse que durante a ocupação houve algumas confusões porque tinham mais pessoas do que unidades habitacionais. Ele informou que teve até disputa de casas por mais de uma família. “Olha, isto aqui não é invasão e sim ocupação", afirmou cheio de esperança.
O major Geraldo comandante da 66ª CIPM – Companhia Independente da Polícia Militar, informou que como se trata de uma obra do Governo do Estado, a função da PM é apoiar a equipe da Conder na desocupação dos imóveis.
Segundo o oficial, existem muitas famílias que mesmo tendo ocupado os imóveis de forma irregular realmente precisam, mas ele observa que existem aproveitadores. “Alguns que eu contactei aqui tem imóveis em outro lugar, que não tem necessidade", disse.
Ele informou que a PM foi acionada por volta das 9h deste domingo. Imediatamente as guarnições das companhias foram para o local para dar segurança ao pessoal da Conder e evitar confusões.
Na opinião do major Geraldo, trata-se de uma invasão que é irregular e vai de encontro as normas da lei. "A gente precisa saber agora quais são os passos que a Conder vai tomar", afirmou.
Ele disse também que os policiais estão orientados a não permitir que os invasores levem objetos pessoais como colchões, armários, televisores entre outros para fixar moradia até que a situação seja definida.
Fotos: Ney Silva/Acorda Cidade