Ney Silva e Rachel Pinto
O Dia 15 de outubro é o Dia do Professor. Com o objetivo de valorizar esse profissional, buscamos identificar na comunidade de Feira de Santana, um trabalho, que sirva como exemplo para todos. Na pré-escola municpal Alda Marques, bairro Santa Mônica, em Feira de Santana, a professora de educação infantil, Ideojane Melo Conceição, desenvolve um projeto que trabalha a valorização da identidade e cultura com crianças entre 4 e 5 anos de idade e discute a diversidade entre as pessoas.
Foto: Ney Silva/Acorda Cidade
Ela explicou como funciona essa iniciativa e como tem sido e retorno e a participação das crianças em todas as atividades. Com todas as ações as aulas ficam mais interativas e o aprendizado é ainda mais lúdico e prazeroso
“Esse projeto vem sendo desenvolvido na escola há cinco anos. Mas, esse ano a gente fez algumas adaptações e uma reformulação. Focamos mais na questão cultural e na identidade. Começamos o projeto entrando nas questões indígenas e do povo negro e perguntamos para as crianças qual é a sua cor? A maioria responde que não sabe e diz: eu sou marrom, eu sou branca e não se vê enquanto negra. A gente percebe que após o término do projeto elas já se veem, elas já se percebem como negras. A maioria delas que estuda aqui é de bairros circunvizinhos, que são bairros periféricos e consequentemente população de maioria negra”, afirmou.
Foto: Ney Silva/Acorda Cidade
Segundo Ideojane, o projeto de valorização da identidade e cultura é uma iniciativa que é voltada para cerca de 90 crianças que estudam na Escola Alda Marques. Ela ressalta que a proposta foi pensada pela coordenadora Carla Gabriela e que a sua opção por trabalhar por questões relacionadas aos povos africanos vem de projetos de vida e de militância. Para a professora, os livros didáticos ainda deixam muito a desejar nesse aspecto.
“A escola como um todo trabalha o tempo inteiro fazendo referências às diferenças para que as crianças possam perceber que todos são diferentes, mas precisam respeitar cada um as suas diferenças. Os livros didáticos deixam muito a desejar. Tem uma pesquisa que é da professora Ana Célia da Silva que foi professora da Universidade do Estado da Bahia (UNEB) que ela estuda como o negro aparece no livro didático e a gente a ainda percebe que apesar do avanço, apesar de muitos de nós professoras e professores negoros e negras, também estarmos fazendo pesquisas nesse campo e colaborado com a nossa escrituras, com as nossas pesquisas ainda há pouca literatura com esse tema. A gente não vê princesas negras, a gente não vê nos livros, nos contos de fadas. Então há essas dificuldades de poder perceber que nós existimos .Se para nós adultos já difícil , imagina para as crianças olhar para todos os cantos e não se enxergar . Ainda há muito déficit nas publicações até porque a gente tem mais dificuldade de publicação de livros com esses temas”, disse.
Foto: Ney Silva/Acorda Cidade
Vendo seus alunos se reconhecendo enquanto negros e valorizando toda a cultura e toda a beleza negra, a professora se emociona e se enche de orgulho. Ela conta que na época de criança não teve essas oportunidades de abrir os horizontes através da escola, mas sempre teve na família sua grande referência, assim como a universidade foi uma etapa muito importante na sua formação e no seu entendimento.
“Eu não me lembro de ter tido nenhum professor que trabalhasse comigo essas questões raciais e que ajudasse a me perceber como negra. Quando eu vejo essa diferença em meus alunos, enquanto pessoa e enquanto militante eu tenho muita alegria. Porque eu sei que essas meninas e meninos se percebem negros e eles podem até sofrer um dia, mas vão reagir de outra forma frente ao racismo. Porque já sabem que são e que podem tudo. A gente trabalha muito isso. Tudo aquilo que eu desejo eu posso e essa consciência está desde cedo nas crianças”, salientou.
Foto: Rachel Pinto/Acorda Cidade
As aulas da pró Jane, tem contação de histórias, tm o dia da beleza e as crianças sabem que são lindas de tranças, de cabelos soltos, presos ou de chapinha. As questões raciais não aparecem em sala de aula e desde cedo eles aprendem que é preciso respeitar o outro nas suas diferenças.
Acreditando que a educação transforma o mundo e que cada dia é um novo aprendizado junto aos seus alunos, a professora diz que apesar das dificuldades às vezes de logística, estrutura e falta de material, o Dia do Professor tem sim muitos motivos para comemorar.
“É positivo perceber que essas crianças também nos elevam muito A gente aprende com elas, e elas apendem com a gente. A educação pode transformar os sujeitos e os sujeitos transformarem o mundo.É essa a proposta a escola e estamos conseguindo, finalizou.