
No final da manhã desta segunda-feira (15), estudantes do curso de medicina do Centro Universitário de Excelência (Unex) de Feira de Santana, realizaram uma manifestação em frente ao campus, na Avenida Artêmia Pires, para reivindicar contra o reajuste de 7% da mensalidade. Os alunos fecharam a pista para chamar atenção dos gestores da faculdade para que entrassem em diálogo em busca de uma solução mais viável para todos e das autoridades para intervirem na situação.
O Acorda Cidade teve acesso ao documento emitido pelo Diretório Acadêmico Lindaura Falcão de Azevedo (DA) que justifica a manifestação promovida nesta segunda-feira. Veja aqui.
O estudante de medicina e advogado, Janfrei Costa, falou sobre a união de diversos alunos ao DA após o anúncio do reajuste de 7%. Segundo os estudantes, a mensalidade já é alta considerando outras unidades do grupo UniFTC.
“De forma abrupta, de uma hora para outra, uma mensalidade que já é cara, a gente entende que ela é abusiva, veio com um aumento de 7%. A rede UniFTC possui várias unidades e existem valores diferentes em cada unidade dessa. Então, Feira de Santana, que é a segunda maior cidade do Estado da Bahia, hoje é contemplada com essa faculdade que vai ajudar a nossa sociedade. E a gente vê o sonho de milhares de alunos, centenas de alunos, eu diria, com sonhos interrompidos pelo valor abusivo dessa mensalidade”, relatou.
Segundo o estudante, são 7% de reajuste, o que vai gerar um aumento de mais de R$ 1.000 mil na mensalidade. Valor esse que é muito maior do que os centros de Salvador, Vitória da Conquista, além de outras cidades como Jacobina, Alagoinhas e Conceição do Coité.
Como solução, eles cobram que a coordenadoria do curso e instituição cheguem, junto aos alunos, a um denominador comum com as outras unidades, equiparando os valores.
“Essa unidade aqui, alunos que vêm de transferências externas estão pagando R$8.400. Então, nós não queremos uma vantagem, a gente só quer uma proporcionalidade, uma razoabilidade. A gente não quer nada mais que ninguém, a gente só quer o direito dos estudantes”, explicou.
De acordo com Janfrei, o DA de medicina enviou relatórios para a Superintendência Municipal de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon) e a OAB Defesa do Consumidor, mas não teve resposta. Até esse momento, de acordo com ele, a faculdade tem ‘empurrado com a barriga’, o aumento.
“A faculdade chamou agora para reunião entre quatro alunos, mas só através de intermediários, ela não manda um agente exclusivo da direção. Então, enquanto não ouvirem as exigências do DA a gente vai continuar essa manifestação, porque a gente acha abusivo. A gente vem de um período pós-pandemia, a gente sabe aqui que tem familiares fazendo grandes esforços para ver seus filhos, cursando, saindo aqui com diploma de médico, mas esse aumento abusivo está se tornando realmente um trauma”, afirmou.
O estudante Alexandre Piropo também relatou ao Acorda Cidade que a manifestação foi organizada devido ao reajuste, mas há outros motivos também que precisam ser discutidos. Há algum tempo eles tentam diálogo com a instituição, mas até o momento relatam que não tiveram o retorno esperado.
“Além da estrutura que foi prometida quando ingressamos no curso de medicina e que até hoje não foi entregue, a gente esgotou todas as possibilidades e foi surpreendido ainda no início desse semestre com esse aumento de 7%. Não houve apresentação de nenhuma planilha que justificasse o aumento da mensalidade do curso dessa forma. Houve aumento do número de alunos e não houve nenhum investimento novo que justificasse esse aumento da mensalidade. E isso impactou negativamente na vida de muitos alunos, gerando inclusive, algumas desistências”, disse.
Conforme Alexandre, estudantes que utilizam o Financiamento Estudantil (Fies), também não estão conseguindo manter o pagamento complementar. Ele ressaltou a importância do curso para a população de Feira de Santana.
“Queremos ser médicos de excelência, como o próprio nome da universidade sugere, para atender o povo de Feira de Santana. Vamos ficar na cidade, nós queremos atender o povo de Feira com assistência de saúde de qualidade e para tanto a gente precisa do apoio da Ordem dos Advogados, do Procon, da Câmara de Vereadores para que vejam a nossa situação”, relatou.
Ainda segundo Alexandre, atualmente a mensalidade está custando em torno de R$ 12 mil reais, mas deve ultrapassar os R$ 13 mil considerando o reajuste.
“Completamente inviável, quem é que hoje consegue usar todo esse recurso para financiar um curso de medicina? São 6 anos, 12 semestres e a nossa preocupação é com a qualidade da nossa formação. A gente sabe que vai lidar com vidas com saúde humana e a nossa preocupação é mesmo em prestar uma saúde de qualidade para o povo de Feira e a gente às vezes chega em uma unidade de saúde e não tem pacientes agendados para atender a gente, não tem uma clínica escola construída desde o início do curso, não está pronta ainda, às vezes é a aula prática que não acontece e para finalizar com tudo isso o aumento absurdo dessa mensalidade”, finalizou.
Após a chegada da reportagem do Acorda Cidade, parte da pista foi liberada e a coordenação do curso entrou em reunião com alunos do DA.
A Unex enviou uma nota ao Acorda Cidade prestando esclarecimentos sobre a situação:
Feira de Santana, 15 de abril de 2024 – A Unex respeita e valoriza as preocupações dos alunos e está sempre em busca de aprimorar nossa instituição para proporcionar a melhor experiência educacional. A atualização das mensalidades do curso de Medicina segue as normativas educacionais vigentes, com o índice aplicado abaixo da inflação acumulada no período.
Estamos desenvolvendo opções para nossos estudantes, com o objetivo de oferecer alternativas de pagamento que incluam benefícios como descontos nas mensalidades. Cada uma de nossas unidades tem práticas específicas, conforme as normativas do setor, levando em consideração as diversas variáveis locais.
Reforçamos nosso compromisso com o avanço do curso de Medicina, como a construção da clínica escola que está prevista para os próximos meses. Seguimos empenhados em implementar melhorias contínuas em nossa instituição.
Permanecemos comprometidos com o diálogo construtivo, mantendo nosso canal de comunicação aberto entre a gestão e os estudantes. Buscamos constantemente proporcionar uma experiência educacional enriquecedora para nossos alunos e para a comunidade.
Estamos à disposição para esclarecer quaisquer dúvidas.
Com informações do repórter Ed Santos do Acorda Cidade
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