Após um incêndio que aconteceu no último sábado (22), próximo à Avenida Noide Cerqueira, o ambientalista, João Dias, alertou sobre a situação das lagoas em Feira de Santana. Assim como o caso de sábado, um outro incêndio parecido foi registrado no último dia 19 de fevereiro, como tem acontecido constantemente.
João, que é diretor de Educação Ambiental da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semmam), falou sobre o assunto e chamou atenção da população sobre a degradação dos corpos hídricos da cidade, as lagoas, cobrando mais ações preventivas efetivas dos órgãos públicos.
“Feira de Santana é uma cidade com características especiais e a população, a imprensa em geral, o poder público precisam entender isso. É muito difícil ter uma cidade com as características hidrológicas que Feira tem. Feira ficou entre o Tabuleiro Costeiro e o Pé de Plano Sertanejo, em uma área que se constitui um platô e, nesse local, acumula água. Daí a gente tem centenas de nascentes”, explicou ao Acorda Cidade.
Segundo ele, o município abriga cerca de 30 lagoas, sendo 10 delas de maior porte e que estão presentes na área urbana da cidade. Desde o desenvolvimento de Feira de Santana, especialmente entre as décadas de 50 e 80, pessoas de outros estados, como Pernambuco e Ceará, chegaram à Princesa do Sertão e se instalaram próximo às lagoas. Hoje, muitas já estão completamente ocupadas.
“Muitas dessas famílias ocuparam os corpos hídricos e hoje a Lagoa do Chico Maia na Mangabeira está completamente ocupada; A Lagoa Juca Campelo, Santo Antônio dos Prazeres também. Temos ocupações na Lagoa Salgada l, que é a da Noide, na Lagoa do Subaé e na Lagoa do Prato Raso”, contou o ambientalista ao Acorda Cidade.
Para além da importância dos cuidados ambientais com a lagoa, João alertou para os inúmeros episódios de incêndio que estão relacionados à ocupação desordenada e ao uso indevido do fogo próximo a essas áreas.
“Infelizmente, algumas famílias às vezes fazem uso de fogo, acontece de forma acidental e às vezes é proposital incendiar uma lagoa, como aconteceu recentemente com Berreca e agora com a Lagoa Salgada”, pontuou.
Ele também destacou a necessidade de um compromisso compartilhado entre os poderes municipais, estaduais e federais para garantir a preservação desses espaços naturais.
“Existe uma cobrança muito grande do poder público municipal, mas a Constituição não diz que é o município, sozinho, que tem que cuidar das lagoas. Precisamos da participação dos três entes governamentais para uma gestão eficiente”, ressaltou.
Outro ponto abordado foi a natureza das lagoas da região, que são divididas entre perenes (com água o tempo todo) e intermitentes (que secam em períodos de estiagem). No caso das intermitentes, a vegetação presente na bacia torna-se altamente inflamável, favorecendo a propagação do fogo.
“O material que tem na bacia lacustre, as macrófitas aquáticas são combustíveis, aí você tem muita taboa, baronesa, junco e braquiária, que pegam fogo muito fácil e se alastram rapidamente”, explicou.
A população pode colaborar na prevenção de incêndios, evitando o descarte de lixo e a prática de queimadas em áreas próximas às lagoas. O Corpo de Bombeiros pode ser acionado em casos de incêndio pelo telefone 193.
“O município está muito preocupado porque é necessário realmente adotar medidas cabíveis para a gente diminuir esse problema”, alertou.
Com informações da jornalista e produtora do Acorda Cidade Iasmim Santos
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